Hoje foi a missa de sétimo dia do meu amigo Marcelinho.
A missa, celebrada na Catedral de São Dimas (São José dos Campos), foi a melhor forma que encontrei para prestar uma despedida mais adequada a ele.
A Povidência Divina tem seus caminhos. Já me disseram que a Providência está sempre conosco e é uma Graça (ou "de graça"). Mas precisamos ter nossos sentidos apurados.
Passei o dia todo preocupado com os afazeres do meu trabalho sem ter muito tempo para realizar uma preparação mais adequada. Ao chegar na missa, procuro o nome dele na projeção, preocupado de que tivessem esquecido (claro que isso não ocorreu...).
Ansioso, mudei de lugar três vezes e sentei em um lugar que nunca havia escolhido, o qual embora no fundo fica de frente para o altar.
Antes de começar a missa as intenções foram ditas e lá estava eu iniciando uma meditação quando percebi que os discípulos de Emaús foram citados. Foi inevitável lembrar da primeira vez em que o conheci e as primeiras lágrimas vieram.
Ao prestar atenção sobre uma imagem de Cristo que fica acima da cadeira do sacerdote, percebi que é a mesma que escolhi na mensagem do dia 20. Coincidência? A resposta depende da sua fé.
A leitura do evangelho, para minha supresa, era a passgem dos Atos dos Apóstolos conhecida como "Os Discípulos de Emaús". Nela dois discípulos voltam de Jerusalém para Emaús desolados com a morte de Jesus. Eis que os mesmos são acompanhados por Cristo Ressucitado (mas não o reconheceram). Cristo inicia um diálogo que passa pela explicação de várias passgens do antigo testamento e do porquê tudo havia ocorrido. Ao chegar em Emaús e ao ser convidado para ceiar com eles, Jesus desaparece logo depois de partir o pão (somente então os discípulos percebem ao lado de quem viajaram).
Chorei algumas vezes durante a leitura. Pensava em como eu e ele trilhamos o caminho rumo a Emaús. Como falávamos empolgados sobre o que aprendíamos durante nosso curso. Lembrei das nossas reuniões no Grupo São Paulo, das palavaras de amor, paz e sernidade (além do testemunho de vida) que ele nos dava todas quintas-feiras a noite. Lembrei de como vi Cristo transbordar nele. E sempre sobrava um pouco mais de Cristo em cada um de nós depois de falar com ele. Lembrei das nossas noites na escolinha do Emaús. Lembrei também que ele era tão humano quanto nós e de como nos divertíamos nos nossos jantares, churrascos e encontros de amigos. E chorei novamente.
Quando o padre iniciou a homilia falou de como cada um de nós podia se colocar no lugar dos discípulos e perceber como Cristo nos fala. Coincidência novamente? A resposta depende da sua fé.
Algumas das músicas que tocaram foram músicas muito queridas, as quais aprendi durante meu convívio em Emaús. Isso me fez sentir um pouco mais próximo dos meus amigos, que em Florpia estavam na missa de sétimo dia dele também.
Durante as intenções oramos por ele (e por outros). Fiquei lembrando da primeira vez em que ele falou comigo a respeito do mistério da comunhão dos santos. Sua admiração era tanta que me fez refletir sobre quem são os santos (um dia, com a Graça de Deus, sermos nós também). E não pude deixar de ficar muito feliz em pensar que agora ele também faz parte da comunhão dos santos.
Que felicidade para todos nós. Ganhamos mais um santo que ora a cada dia por nós. Pensei então em como isso modificaria meu dia-a-dia. Disse:"agora o Marcelinha tá orando por mim "lá de cima"". Eis aí um bom motivo para perseverar nesta caminhada para a santidade. Foi aí que pensei que sempre coloquei a questão da santidade como uma meta de longo prazo, algo que fosse muito difícil de ser atingida, quase uma utopia. Por alguns momentos voltei a pensar que ter convivido com Marcelinho era como se estivéssemos caminhando rumo a Emaús. Só que era ele quem nos falava e testemunhava com suas ações e, de certo modo, não reconhecíamos quem estava falando conosco. Agora que meu amigo "partiu o pão" ao se despedir de forma tão brusca, percebi que caminhava ao lado de Cristo, pois era Cristo quem falava por ele. E através de seus atos Cristo nos falava.
Certa vez me disseram que Ghandi admirava muito o sermão da montanha e que ele não se tornou um católico porque não encontrou nenhum católico que o praticasse. Pena que ele não tá vivo para ter conhecido o Marcelinho. Não sei se ele teria se convertido, mas creio que não poderia mais se dar o gostinho de falar assim de nós.
Me sinto um pouco como São Tomé. Acho que é muito mais fácil trilhar a estrada para Emaús conhecendo pessoas como Marcelo ao longo da nossa jornada. Ter presenciado a possibilidade da santidade e da prática de fé e dos princípios católicos em uma pessoa tão próxima é um bem que guardarei comigo para sempre. Fiquei muito feliz por ter percebido tantas graças da providência nesta noite. Hoje, sou um homem melhor do que fui ontem.
Se você o conheceu sabe que não estou exagerando.
Se você não o conheceu, mas me conhece, dou meu testemunho que todos nós podemos sim fazer uma diferença no mundo.
Se você não o conheceu e também não me conhece, se dê o direito de perguntar-se: por que não tentar ser mais parecido com Cristo?
Espero que você faça como eu.
Dê um "salto de fé" e peça a Deus para lhe dar a sabedoria necessária para trilhar esta estrada.
Após muitas lágrimas a missa acabou.
Cristo ressucitou.
Meu coração está leve e alegre. Vou honrar a memória do meu amigo com minhas ações.
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