segunda-feira, dezembro 25, 2006

Boas festas - Estou de férias!


Amigos,

Seguindo as sábias palavras de um amigo meu, já que estou em Floripa creio que estes não sejam dias para se estar na frente de um computador ou na Net.

:)

Assim, voltarei a republicar e a manter o meu Blog somente a partir de 01/02/2007.
Desejo a todos vocês um Próspero Ano Novo e que 2007 seja um ano repleto de realizações!

Abraços do,

Manoel

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Então é Natal...


... a era Cristã...
E não é que o ano já acabou?

A pintura renascentista é de Gerard van Honthorst e representa o nascimento do nosso Menino Jesus.

Procurei na wikipedia para falar algo do "Gerard", mas o link ainda está vazio.

Não sei qual é a sua fé, mas creio em Cristo. Não me importa se o dia 25 é ou não é o dia verdadeiro do nascimento dele. O que importa é ter uma data na qual possamos parar e refletir sobre nossa condição humana e arrumar forças para continuar a viver esta experiência com dignidade, fé, amor e esperança. Como passou rápido... ainda ontem eu estava em Janeiro (eheheh). Mas 2006 foi um ano repleto de conquistas e aprendizados. Só tenho a agradecer.

A todos vocês desejo um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!
Que Cristo vos ilumine e abençôe e que a Paz de Cristo permaneça convosco!

segunda-feira, dezembro 11, 2006

SAC


Alguma vez você já se sentiu assim quando ligou para algum SAC?

A impressão que tenho é que o tratamento que recebemos é propositalmente ruim.

Existem argumentos de marketing que justificam este comportamento enquanto existem outros que condenam.

Cite um exemplo de quem te atendeu mal.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Imóvel: "viver de aluguel" ou "concretizar o sonho da casa própria"?

Esta é uma questão que vive incomodando muita gente (eu inclusive).
Faz pouco tempo que encontrei uma calculadora interessante no Infomoney, que alías, é um excelente site sobre finanças e investimentos.

Se ficar curioso, vá lá e veja o que vale mais a pena no seu caso: comprar ou alugar?

Time Out

Pois é, fiquei fora-do-ar (ou da Net) por quase três semanas.
Estávamos de mudança e não consegui outro provedor até hoje.

Fiquem atentos, pois agora estamos no ar (ou Online)!

Abraços,

Manoel

quarta-feira, novembro 15, 2006

Ah, se eu soubesse...


"Ah, se eu soubesse..." é uma interessante obra de Richard Edler (Atlas) que nada mais é do que uma coletânea de diversos pensamentos que pretendem ser "pérolas de sabedoria". Seu subtítulo "o que as pessoas gostariam de ter sabido 25 anos atrás" já dá a dica: melhor saber agora do que aprender "na marra".

Minha edição (ganhei em 16/02/2000) era a décima sexta. Não sei em qual está agora.

Dividido em dez curtos capítulos as "pérolas" estão organizadas em ordem de prioridade, ou seja, o primeiro capítulo já dá o tom: "O mais importante primeiro: coisas que você deve saber agora."

Para não deixar ninguém "na mão", vou deixar aqui três pensamentos muito bons (IMHO).

"Você é 100 por cento responsável por sua própria felicidade. Os outros não são responsáveis por ela. Os seus pais não o são. A sua esposa também não o é. Você está sozinho. Então se você não está feliz, só você pode mudar alguma coisa. Este "conserto" não depende de mais ninguém" - Dr. Gerald d. Bell - Professor, Kenan-Flagler Graduate School of Business, University of North Carolina.

"Infelicidade = imagem - realidade" - Dennis Prager - Apresentador de Rádio e Televisão, Erudito em religião, escritor e palestrante.

"Quando estiver em dúvida, aja. Na minha carreira, assim como nos meus investimentos pessoais, tentar coisas novas valeu a pena em 90 por cento das vezes. Estou feliz por ter feito isto, não gostaria que tivesse sido diferente. Mesmo os 10 por cento das experiências não tão boas ajudam a valorizar ainda mais os 90 por cento." - Dave Christensen - Sócio, Ernst & Young.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Bem diferente do Musashi (outra do Dilbert)


Este Scott Adams... um dia vai ser eleito o filósofo do século XX e XXI.
; )

Embraer marca nova presença no continente Australiano


Em 02 de Novembro a Embraer anunciou a venda de três EMBRAER 170 e onze EMBRAER 190, mais seis opções.

Ao lado uma representação artística do EMBRAER 170 nas cores do nosso mais novo cliente a Virgin Blue Airlines.

Em seu site o CEO da Virgin Blue, Bert Godfrey comenta a respeito desta nova aquisição:

“This new jet will enhance our ability to serve the corporate market by more accurately matching seat capacity and frequency to passenger demand".

“We believe the Embraer E-jet family provides jets with large capabilities, which will enable us to operate the right sized aircraft, not only for specific routes, but for specific days and even particular times of the day and night.”


“Virgin Blue will have the ability to complement and “right size” our operations and we are currently considering a range of operating possibilities which are yet to be confirmed," added Mr Godfrey.

Mais uma prova de que a nossa regra dos 70/100 estava correta (desta vez em relação a questão do right sizing).

Como diz nosso Diretor-Presidente, "Vamos em frente!"

segunda-feira, novembro 06, 2006

Semelhanças


Em 1996 o então Prof. Vicenti Falconi Campos fez uma analogia das artes marciais (cuja proficiência pode ser divididas em "faixas", como no Karatê) e as "artes gerenciais", como parte de sua introdução em sua obra entitulada "Gerenciamento pelas Diretrizes" (1996).

Antes de iniciar sua analogia seus pensamentos foram reforçados por nove princípios do famoso espadachim Myamoto Musashi (1645) o autor do Livro dos Cinco Anéis (e não confundam com o J.R. Tolkien do Senhor dos Anéis, ok?).

Eis seus princípios:

1. Não pense com desonestidade.
2. O Caminho está no treinamento.
3. Trave contato com todas as artes. Myamoto Musashi
4. Conheça o Caminho de todas as profissões.
5. Aprenda a distinguir ganho de perda nos assuntos materiais.
6. Desenvolva o julgamento intuitivo e a compreensão de tudo.
7. Perceba as coisas que não podem ser vistas.
8. Preste atenção até no que não tem importância.
9. Não faça nada que de nada sirva.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Desafio: o nome do jogo é Sudoku

Este jogo de origem japonesa existe há milênios. No lendário Instituto Sudoku (da cidade de Sudosaki - daí o nome do instituto e do jogo), os candidatos a tornarem-se grãos-mestre neste jogo recebem, diariamente, uma tigela de arroz com picles e 723 jogos de sudoku para resolver. Este processo se repete por, no mínimo, sete anos. Como tudo que é nipônico, é claro que há também um bocado de filosofia por trás desta história.

Um dos famosos provérbios é: "Baka mo ichi-gei" ou, "Até um tolo possuí pelo menos um talento". A "piada" é que, talvez se você não têm nenhum talento revelado quem sabe não é o talento de jogar Sudoku?

Brincadeira à parte, o jogo é "viciante".

Este jogo já é bem popular e está ocupando até páginas de jogos nos jornais, rivalizando com a tradicional "palavras-cruzadas". O jogo abaixo eu resolvi online e aqui está para permitir uma melhor idéia do que é o Sudoku.



O desafio está lançado!
Boa diversão!

terça-feira, outubro 31, 2006

Entrevista honesta é boa para os negócios?

Este texto foi originalmente publicado como uma resenha da disciplina de Comunicação e Expressão, como parte do CEAG-R e ministrada pela Profa. Claudete Moreno Ghiraldelo (ITA)


COMUNICAÇÃO EFICAZ NA EMPRESA - COMO ENFRENTAR A IMPRENSA
Chris Argyris, Fernando Bartolomé, Carl R. Rogers, et al. São Paulo, Campus, 1999, 9 Ed., p. 65 a 76.


Esta resenha baseada no artigo, de Chester Burger, disserta sobre como executivos podem maximizar os benefícios de uma entrevista jornalística. Argumenta-se que o ambiente jornalístico, na visão de muitos executivos, é considerado hostil. Na verdade, é demonstrado que a “hostilidade” é, na verdade, um efeito provocado por vários ruídos na comunicação entre o executivo e a imprensa. As causas-raiz destes ruídos podem ser traduzidas em quatro fatores básicos: (1) as mensagens dos executivos não são francas; (2) os executivos falam de improviso, provocando vários deslizes; (3) a história não é comunicada de forma interessante; (4) desconhecimento dos mecanismos utilizados pelos repórteres para extrair histórias por parte dos executivos.
Como critérios gerais para obter uma comunicação eficaz o executivo deve ser firme e estar preparado para dar a entrevista. Esta firmeza está relacionada à segurança do executivo em falar sobre o assunto no qual será entrevistado e também em não subestimar a competência da imprensa em fazer perguntas que o deixarão provocado. Por esta mesma razão o executivo deve estar preparado, para que seu estado emocional não esteja perturbado quando proferir as respostas. Desta forma as oportunidades para se cometer algum “deslize” são minimizadas.

O autor destaca dez “normas específicas” de comportamento, as quais julga importante para garantir uma comunicação eficaz com a imprensa. São elas: (1) falar do ponto de vista do interesse público, não da empresa; (2) falar em termos pessoais sempre que possível; (3) para não ter sua declaração citada, não a faça; (4) o mais importante deve ser dito primeiro; (5) não discuta ou perca o controle com o repórter; (6) perguntas e/ou linguagem ofensivas não devem ter seu conteúdo repetido nas respostas, mesmo para negá-las; (7) para uma pergunta direta deve haver uma resposta direta; (8) se não souber a resposta, não responda, mas dê a deixa que verificará a resposta; (9) a verdade, mesmo dura, é sempre a melhor opção; (10) fatos são fatos, não os aumente.

Ao passar por todas as recomendações o leitor verifica que para haver sucesso na comunicação com a imprensa se faz necessário compreender os mecanismos do jornalismo e do próprio processo de fabricação da notícia. Desta forma o jornalista perde o estigma de ser “inimigo” da empresa e passa a ser uma oportunidade para revelar para a opinião pública um pouco mais da empresa na qual trabalha o executivo.

Falar sobre a responsabilidade social da empresa, o impacto das suas decisões para a sociedade e para o país dá um senso de coletividade e torna a história interessante para o repórter. Da mesma forma, falar num tom pessoal aproxima o repórter do executivo, dá um caráter mais humano a empresa e passa credibilidade a respeito da pessoa do executivo.

Mas ao entrar no terreno do “falou dançou”, se faz necessário muito planejamento e experiência, pois com tantos gravadores, câmeras de vídeo, a única forma de não ter uma declaração do executivo registrada na primeira página seria não proferindo a declaração. Mas em todas as vezes que for dito algo para a imprensa, se deve ter em mente o processo de fabricação da notícia, e por isso mesmo dizer o mais importante primeiro (o que, algumas vezes, significa começar pela “conclusão”). Note que este não é um processo natural de narração e por isso mesmo exige planejamento e treino.

Ao responder as perguntas elaboradas pelos repórteres é sempre preferível dizer a verdade, de forma direta, sem utilizar as palavras do repórter quando em tom ofensivo. Um dos conselhos mais interessantes é a percepção que não há como ganhar uma batalha com a pessoa que irá escrever a história, i.e, o repórter. Por isso mesmo, não se deve “perder a linha”. Elaborar perguntas que incomodem o executivo faz parte da estratégia e do trabalho dos jornalistas em sua busca por notícias interessantes. Respostas diretas são sempre preferíveis pois passam uma sensação de credibilidade e confiança.

As histórias comunicadas, através das declarações e respostas às perguntas devem ser pautadas pela verdade. É melhor do que ser desmentido depois. O estrago na credibilidade pessoal e da empresa seria muito pior do que comunicar um fato ruim. Parte da tarefa de dizer a verdade é ser preciso nas declarações e não mascarar os fatos (exagerando ou distorcendo as informações). Uma forma de verificar como a transparência não só para com a imprensa, mas também para com os acionistas faz parte da vida de grandes empresas: um dos passos para uma empresa abrir seu capital na bolsa de valores é criar um departamento de relações com investidores com acesso a todas as informações cruciais da empresa(Lethbridge, 2006).

As técnicas apresentadas por Chester Burger viabilizam a redução dos ruídos culturais e psicológicos. O ruído cultural seria reduzido através do preparo e planejamento de respostas claras, válidas e concisas. O ruído psicológico seria reduzido através da compreensão do mecanismo de entrevista utilizado pelos repórteres e na preparação psicológica do executivo em organizar suas idéias e responder às perguntas de forma profissional, não emocional. O sucesso na redução destes ruídos, segundo Izidoro Blikstein (2005), contribuiria para aumentar a capacidade de persuasão do executivo sobre a imprensa, potencializando uma reportagem favorável à empresa. Uma entrevista honesta, aquela na qual a “simples verdade” é comunicada deveria ser o único objetivo de um executivo. Para comunicar com honestidade, reduzindo a “hostilidade”, se faz necessário a prática e a vigilância constante das “regras do jogo” (firmeza, honestidade e as dez normas específicas). Este objetivo, se atingido, transforma uma entrevista em uma oportunidade de melhor colocar a empresa no mercado e por isso, bom para os negócios.

Referências Bibliográficas
1 O QUE VEM DEPOIS DA BOLSA – Tiago Lethbridge, Revista Exame, São Paulo – Ed. Abril. Edição 864, No. 6, 29/Março/2006.
2 BLIKSTEIN, I. Técnicas de comunicação escrita. 21 ed. São Paulo: Ática, 2005.

Recomeçando...

Pois é... não deu.

Mas acabei gostando da idéia de trocar idéias por este meio. Trouxe uma tirinha "da turma do Dilbert" para "levantar o astral". O Ratbert não é muito esperto, mas está tentando fazer o mesmo que eu (trocar idéias).


Até a próxima!

quinta-feira, outubro 26, 2006

Manifesto por um Brasil Melhor



Eu também acredito num Brasil melhor.

E neste processo precisamos escolher o que desejamos.

Nestes últimos dias tenho recebido vários e-mails. Como acredito que todo mundo está. Pensando que, talvez, a melhor ação cívica que eu possa fazer hoje não seja re-enviar os e-mails recebidos. Mas criar meu próprio manifesto (com certeza todo brasileiro tem o seu).

Vou começar pelas coisas nas quais eu NÃO acredito.

Não acredito nas pesquisas eleitorais: alguns dos últimos e-mails que recebi me recordam que até pouco tempo atrás todas as pesquisas diziam que no plebiscito o "SIM" ia ganhar "de lavada". Mas a história resolveu mostrar que NÃO era bem assim. Será que todos os brasileiros que votaram "NÃO" mudaram de idéia? Alguns dizem que a pergunta não era clara. Mas o curioso é que a pergunta feita nas pesquisas era a mesma que foi feita nas urnas... Lembro de um Geraldo Alckmin desacreditado, que iniciou a pré-campanha com 12% (quando então ainda estava disputando sua candidatura no partido contra José Serra). Lembro também das pesquisas dizendo "Lula será reeleito no primeiro turno". Mas o que vimos? Lula e Geraldo no segundo turno. Agora estão dizendo: "Lula está na frente com X% de vantagem".

Pergunto: está mesmo?

Pergunto novamente: desde quando você vota para dizer que votou naquele que "ia ganhar"?

Não acredito que os brasileiros não se importem com a falta de ética e com essa corrupção toda: não é falta de informação. Também não será por falta de noção do que é certo e do que é errado. Não acredito que um representante do povo pode dizer "não sei" sucessivamente e por tantas vezes, que da negligência tudo o que resta é uma pidada (de mal gosto). Você sabia que depois do "escândalo da Enron", todas as empresas listadas na Bolsa de Nova-Iorque devem cumprir uma nova legislação chamada Sarbanes-Oxley (SOX)? Você sabia, que no caso de uma empresa "quebrar" e prejudicar seus acionistas, o "presidente" da empresa não pode dizer "eu não sabia" para evitar sua prisão?

Não acredito que o Brasil precise de um presidente-herói: o que precisamos são de pessoas competentes, honestas, justas e motivadas em promover o bem-comum. Melhorar o Brasil não é tarefa de um-homem-só, mas de todos nós. Também não é tarefa para se realizar em quatro-anos (o que não quer dizer que um presidente precise ser re-eleito). Mas, talvez, o início de um Brasil melhor passe pela consciência de que não existe um "salvador-da-pátria".

Este é um manifesto pela vida. Chega de corrupção. Chega de negligência.

Que seja vivida em paz, com liberdade de expressão, com saúde, ética e honestidade na política.

Que o futuro representante do Brasil nunca mais seja perdoado por dizer "eu não sei".

Que atos de corrupção e negligência não sejam validados pelo voto.

É um manifesto, talvez até singelo (e inocente), mas peço a permissão de vocês para lembrar de como era bom ser criança e acreditar nas pessoas e crer que tudo podia ser diferente.

E quer saber?

Se você, como eu, também não acredita nas pesquisas talvez, possamos fazer um Brasil Melhor.

Até 29/10/06 e quem sabe num outro Brasil.

Nau à deriva: onde está o timão?


Este post foi originalmente desenvolvido como parte das atividades (resenha) da disciplina de Relações Interpessoais e Equipes de Alta Performance, ministrado pelo Prof. Pedro Bendassoli e parte do CEAG-R.


Fonte da resenha: A Corrosão do Caráter – Conseqüências pessoais do trabalho no novo capitalismo. Richard Sennett, Record, 2004, Caps. 1, 2, 3 e 8



Ao voltar de sua viagem a Davos, o destino junta duas pessoas que não se viam há quinze anos. De um lado, Rico, filho de Enrico a quem o próprio Sennett (do outro lado) havia entrevistado como parte de seu trabalho para publicar o livro “The Hiden Injuries of Class”. Durante sua viagem de volta aos EUA Sennett encontra uma oportunidade para refletir sobre as conseqüências do novo capitalismo no indivíduo e analisa questões como “estar a deriva”, “rotina”, “flexibilidade” e “Nós – o pronome perigoso”.

A questão de indivíduos “à deriva” é colocada pelo autor como resultante do macro-ambiente nos quais estamos imersos hoje. Para Sennett, estamos à deriva por não sermos capazes de estabelecer uma narrativa linear para nossas vidas. Esta incapacidade tem suas raízes no paradigma do “curto prazo” que seria imposto pelo modelo do novo capitalismo e nas suas inevitáveis conseqüências. Estas conseqüências seriam a falta de compromisso e lealdade entre as pessoas e organizações. A questão não é que “o ser humano é mau por natureza”, como já acreditaram alguns filósofos, mas sim no fato de que compromisso[1] e lealdade[2] são atributos de uma personalidade de longo prazo. O curto prazo não favorece o estabelecimento de vínculos emocionais suficientemente fortes para justificar o compromisso e a lealdade. Desta forma há uma corrosão no caráter[3] pois os relacionamentos que visam o curto prazo (como a relação nas equipes) não permitem o estabelecimento dos vínculos necessários. Busca-se a performance sim, o resultado, o desempenho, mas à mercê da corrosão do caráter. Em suas agendas ocultas, o curto prazo é fator contribuinte para a baixa eficácia das equipes.

Para resolver a questão da narrativa não-linear, Sennett traça um perfil histórico da “rotina”[4] e suas origens. E aqui há uma questão muito interessante, pois é apresentada uma questão dual. A rotina como enobrecedora do espírito (Diderot) contra a visão de que a rotina embrutece o espírito (Adam Smith). Ao prosseguir sua narrativa, o autor esclarece que as piores previsões de Adam Smith ganham vida com o advento do Fordismo, e que não obstante o esforço para planejar, cronometrar e racionalizar o controle excessivo produziu um efeito colateral: com a decomposição do trabalho surgem os sindicatos e dá-se uma disputa de forças que estabelecem uma frágil noção de estabilidade. Passou-se a considerar que embora o trabalho fosse decomposto narrativas de vidas inteiras são descritas a partir desta rotina.

A reação a esta “estabilidade” é a noção moderna de flexibilidade. Ser “flexível”[5] na opinião do autor é uma solução para combater “os males da rotina”. Uma das questões interessantes é que o foco atual é muito maior nas forças que podem nos dobrar do que a preocupação com a questão: “até onde podemos ser dobrados?” Ser flexível é ser ágil, em contraponto a ser lento (rotina). Os principais pontos que são discutidos dizem respeito a questões, na verdade, nada triviais como: (a) reinvenção descontínua; (b) especialização flexível da produção; (c) concentração de poder sem centralização.

Na reinvenção descontínua, destaco a questão da famosa “reengenharia” e o ponto de que atualmente ser flexível é muito mais importante do que ser eficaz. Uma empresa eficaz pode ser completamente desmantelada somente para mostrar a seus acionistas que é uma empresa ágil e flexível. Em busca dos ganhos de curto prazo quem sai perdendo são as pessoas competentes. E aqui se contribuí para a questão do compromisso e da lealdade.

A especialização flexível nos permite verificar que o mercado consumidor é também uma força que não pode ser desconsiderada nesta análise. A organização flexível serve aos pequenos grupos e prima pela rapidez na tomada de decisão. O curioso, é que nos é demonstrado que existem dois tipos deste novo capitalismo: o americano (mais conhecido como neoliberalismo) e o europeu (mais conhecido como capitalismo de Estado). Aqui resta uma pista: é possível ser ágil e flexível sem deixar as pessoas à mercê dos sabores do capitalismo. Em uma última análise, no entanto, nos parece que mesmo na Europa a visão da proteção do Estado para com os menos favorecidos está sucumbindo à visão americana (onde o assistencialismo é visto de forma pejorativa).

Outra questão interessante na flexibilidade é a concentração de poder sem centralização. As mesmas redes que contribuem para o enfraquecimento das relações interpessoais são também as responsáveis pela flexibilidade organizacional. Cada nó da rede é, no entanto, uma ilha de poder.

O controle da rotina foi substituído por um outro tipo de controle, mais conhecido como “flexitempo” ou “horário flexível”. É importante notar, que o horário flexível não é um privilegio para todos. A tão “bem-vinda” flexibilidade não é democrática. A flexibilidade que pretendia nos libertar da rotina apenas trocou de senhor. Somente os que estão em Davos escapam de seus efeitos destrutivos e corrosivos no caráter.

Por último, Sennett nos fala do mais perigoso de todos os pronomes: Nós. Segundo o autor “as incertezas da flexibilidade, a superficialidade do trabalho em equipe, a ausência de confiança e compromisso com raízes profundas, o espectro de “não fazermos nada de nós mesmos”, a insegurança de não arrumar um galho com nosso trabalho” são inquietações e inseguranças que despertam a necessidade de vivermos em comunidade. A comunidade seria então, uma possível solução para nos proteger do novo capitalismo. Há, no entanto, uma dificuldade em partir da necessidade para a ação. Faz-se necessário compreender que somos incompletos e imperfeitos e que para vivermos uma experiência plena precisamos uns dos outros.

Esta dificuldade tem sua origem no paradigma atual, no qual o senso de mútua dependência não é visto de forma positiva, pois corrói a confiança necessária para sermos flexíveis e abertos à mudança. E aí reside uma das principais dificuldades de qualquer empreendimento coletivo. Por isso o autor defende que o trabalho em equipe é um modelo empobrecido e fraco de comunidade. Os vínculos fracos entre as pessoas não permitem que um diálogo franco seja estabelecido, pavimentando a confiança necessária para que o senso de mútua dependência possa ser estabelecido. Simplesmente não há tempo para isso.

Em busca de uma narrativa, o homem pós-moderno precisa de testemunhas. Testemunhas de sua trajetória de vida. Mas estas testemunhas são observadores ativos em nossas vidas, pois contam conosco. Para tal, se faz necessário ser digno de confiança, para sermos necessário e, portanto, o outro deve precisar deste homem. Mas quem precisa dele? Sennett finaliza de forma desconsolada que só quem parece estar livre desta necessidade é o “Homem de Davos”, e que para conduzir uma vida comum as conseqüências desta flexibilidade é esta narrativa não-linear, à deriva, sem referências de longo prazo. A crença de Sennet é que nenhum sistema baseado na indiferença com relação ao indivíduo pode resistir no longo prazo. Espero que ele esteja certo.

O trabalho de Sennet nos auxilia a melhor compreender o papel das equipes no novo capitalismo. As equipes são a resposta necessária para a dita flexibilidade das organizações. Sendo pequenas, tomam decisões ágeis. Suas relações interpessoais são baseadas em redes e estão alinhadas com o curto prazo. A pesar dos impactos corrosivos no caráter dos indivíduos, as organizações parecem estar procurando um processo “robusto às pessoas”. As equipes podem ser desmontadas em nome da reengenharia e seus ganhos de capital de curto prazo. As pessoas, desmanteladas no processo, são parte de um processo darwinista.

A formulção do macro-ambiente pós-moderno, como descrita por Sennett é apenas uma visão parcial do macro-processo atual. Muito embora o “Homem de Davos” seja o modelo de sucesso, há muitos que não enxergam nestes homens o modelo ideal de ser humano. Há os que escolhem vidas mais simples, como Enrico o faxineiro, e mesmo neste mundo do novo capitalismo os “Enricos” de hoje continuam com trajetórias lineares e com forte senso de dependência e de comunidade. Há também a questão de que há vários anos, até mesmo nos EUA, vem crescendo a preocupação em formar este senso de mútua dependência através das organizações não-governamentais (ONGs). O terceiro setor, já é uma realidade e uma parte expressiva dos profissionais atuais. Estes já percebem este setor não só como uma alternativa para o paradigma do novo capitalismo, mas também como forma de optar por possuir uma narrativa mais linear, de visar relações de longo prazo, de viver em comunidade.

Para citar um exemplo pessoal, do conflito da corrosão do caráter, está na questão em aprender a lidar com a fragmentação da narrativa pessoal. Estar em São José dos Campos, longe da família com o propósito de construir uma carreira. Criar referências duradouras, de longo prazo, não é fácil. Como o próprio conceito diz, leva tempo.

No conjunto desta obra, creio que fica a reflexão sobre as conseqüências das decisões pessoais em contraponto às pressões exercidas pelo macro-ambiente, pela organização e por todos os grupos dos quais participo. Ser flexível é uma virtude dos tempos pós-modernos. Resta agora ter a sabedoria para ter a força de caráter necessária para não se deixar corromper pelos efeitos nocivos deste paradigma. Já dizia John Lennon, “nenhum homem é uma ilha”. Vou admitir, não sou perfeito. Preciso de você. Na composição “Nau à Deriva” os Engenheiros do Hawaii nos dizem:

“Nau à deriva no asfalto ou em alto mar, "perigo, perigo", perdidos no espaço sideral. Apocalipse now, à deriva, talvez um parto, talvez aborto, destroços da nave mãe. Nau à deriva, no asfalto ou em alto mar, "perigo, perigo", perdidos no espaço sideral. Apocalipse now, à deriva, longe demais do cais do porto, perto do caos. Meu coração é um porta aviões,perdido no mar esperando alguém pousar meu coração é um porto sem endereço certo é um deserto em pleno mar”

Se estamos à deriva, nos resta perguntar: onde está o timão? Creio que o timão esteja sim na dedicação genuína às pessoas que você ama. Seus pais, sua família, seus filhos. O primeiro e mais básico de todos os grupos. No longo prazo, são com estas pessoas que você poderá contar para estabelecer a sua narrativa, a sua referência. Na família está o primeiro senso de mútua dependência. Dos vínculos familiares poderão surgir outros vínculos comunitários. O círculo de amigos, a igreja (a comunidade, não os prédios), o investimento para tornar-se uma personalidade dentro de uma comunidade pessoal. Mesmo no trabalho, creio que se deva buscar uma nova relação dentro das equipes, algo próximo ao que James C. Hunter em seu livro, “O Monge e o Executivo” apresenta: que o relacionamento nas equipes deve-se basear no serviço ao outro. Isto contribuiria para estabelecer vínculos mais duradouros tornando menos superficial e corrosiva a relação nas equipes. Se este é o caminho? Só o logo prazo nos dirá.

[1] Extraído do Mini-dicionário Caldas Aulete: “Compromisso: sm. 1 Acordo entre pessoas que as obriga a fazer algo: Temos o compromisso de ajudá-lo; “Lúcia não tinha compromissos para comigo...” (José de Alencar, Lucíola). 2 Obrigação social: Tinha muitos compromissos agendados.

[2] Extraído do Mini-dicionário Caldas Aulete “Leal 1 Que é honesto e sincero. 2 Que honra os compromissos assumidos.”

[3] Extraído do Mini-dicionário Caldas Aulete: “Caráter: (...) 2 Conjunto de traços da personalidade, comportamento etc. que distingue uma pessoa ou um grupo: É irmã gêmea dela, mas tem um caráter diferente. (...). 3 Qualidade específica de pessoa ou coisa: uma invenção de caráter revolucionário. 4 A concepção ética e moral de uma pessoa, ger. expressando virtude, firmeza etc.: O seu amigo é uma pessoa de caráter (caráter firme); Aquele advogado não tem caráter (um bom caráter). (...)”

[4] Extraído do Mini-dicionário Caldas Aulete: “Rotina: 1 Repetição diária ou habitual das mesmas atividades: Minha rotina à noite é lanchar e ver televisão. 2 Acontecimento ou atividade comum, trivial: Falta de água aqui é rotina. 3 Lista seqüencial de atividades que devem ser cumpridas para se realizar uma tarefa: a rotina para desarmar um alarme.”

[1] Extraído do Mini-dicionário Caldas Aulete: Flexível: 1 Que se pode dobrar ou curvar. 2 Que tem elasticidade (tecido flexível). 3 Fig. Falto de rigidez; MALEÁVEL. 4 Fig. Fácil de ser convencido ou manobrado: Ele aceita mudanças, é um sujeito flexível.

terça-feira, outubro 24, 2006

A água a preço de ouro (Portal Exame)

A água a preço de ouro

Está aí um tema cada vez mais importante para nossa vida (literalmente) e também como nos posicionamos a respeito.

Várias organizações já estão se movimentando para tornar a questão "água" como algo "sério" e, no caminho, lucrar muito com a sede de todos.
Fonte: http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0879/internacional/m0114345.html


Na Edição da Veja desta semana, as páginas amarelas trazem uma entrevista com James Lovelock (ao lado) um dos adeptos da Teoria de Gaia (onde a terra, como um todo é um ser vivo). Em sua reportagem "A vingança de Gaia", embora em tom apocalíptico para alguns, revela uma preocupação cada vez mais crescente.

A questão é: o que podemos fazer de concreto a respeito de tantos temas polêmicos?

sábado, outubro 21, 2006

The Corporation


The Corporation, um documentário que vale a pena ser visto.

Qual é o maior tipo de entidade com o qual todos lidamos hoje?
Se você foi induzido pelo título e pensou: as empresas, então você acertou.

Este documentário, disponível em DVD, possuí várias entrevistas com críticos ferozes das corporações como Milton Friedman, Noam Chomsky, Nami Klein e Michal Moore. CEOs de várias empresas também participam do documentário e colocam seus paradigmas em contraposição aos demais depoimentos.

Baseado no livro de Joel Bakan, The Corporation: The Pathological Pursuit of Profit and Power, descreve a trajetória incrível de como as empresas passaram a ser consideradas "pessoas jurídicas" (e como isso as tornou "iguais" a pessoas de verdade) até uma curiosa análise do comportamento das empresas em geral. Se uma empresa parasse no psiquiatra seria considerada uma psicopata.

É um documentário muito interessante, e que todas as pessoas interessadas em compreender melhor o mundo no qual vivemos (e finalmente entender o que é globalização - de verdade). É quase uma aula de história do fim do século XX e início do século XXI.

Vale a pena ver.

Numerologia

Recebi, há alguns dias um e-mail muito interessante:

29/10/06 é uma data muito importante.

Some 29+10+06 = 45.
Subtraia 29-10-06 = 13.

A matemática é incrível, não?